A extrema direita apátrida
Por Cristiane Jatene*
A extrema direita mundial contemporânea, diferente do fascismo do século XX, é uma organização mundial apátrida.
Seus representantes não possuem vínculos com seus países, possuem vínculo com os membros da organização fascista da qual fazem parte e com o capital financeiro que representam e lucram, aplicando privatizações mal feitas e sem critério.
Lucram, também, disseminando desinformação nas redes sociais e com a Necropolítica.
A necropolítica possui uma gama extensa de ações possíveis. Desde congelar o salário mínimo e as aposentadorias, até bombardear seres humanos, passando por negar vacina numa pandemia de um vírus letal e retirar financiamento de pesquisas mundiais em Saúde Pública, como fez os EUA, que saíram da OMS e deixaram de financiar avanços em Saúde Pública.
Só no Brasil, durante a pandemia, segundo o levantamento do Sleep Giants Brasil, foram movimentados 62 milhões de reais por contas das redes sociais que disseminaram desinformação sobre a Covid-19.
Embora a extrema direita mantenha, há dez anos, uma rede de desinformação diária, não estamos mais em 2016, os métodos de Guerras Híbridas já são conhecidos: lawfare (uso político do judiciário), revoluções coloridas (financiar infiltrados em protestos espontâneos, desvirtuando a pauta), disseminação de desinformação (com o uso dos algoritmos de redes sociais que são fascistas e financistas), entre outros.
Quem optar por votar no atual governador de São Paulo e no filho do golpista necropolítico não está enganado, optou por um projeto político necropolítico, que tem orgulho da bandeira dos EUA e prejudica a vida de milhões de pessoas, que são submetidas a viajar num trem que pega fogo, como ocorreu na semana passada, receber água suja pela torneira, ficar sem energia a cada chuva, ser assaltado no ponto de ônibus ou no farol. O Brasil cresceu 2%, São Paulo cresceu 0,5%, o Brasil lançou o Pacto Nacional contra o Feminicídio e diminuiu o feminicídio em 2,5% , São Paulo aumentou o feminicídio em 10%.
Durante os anos do pai do filho candidato a presidente, nosso Programa Nacional de Imunizações (PNI), modelo para o mundo, foi tão abalado que o Brasil passou a figurar entre os vinte países que menos vacinam, saindo da lista em 2023, com o novo governo. Os detalhes estão na minha dissertação de mestrado (link no final).
No caso do Brasil, um país profundamente desigual, ainda em construção, errática, porque uma construção permeada por golpes destrutivos, essa opção política significa manter a precariedade educacional e laboral e a consequente hostilidade social e violência armada, criando no país um ambiente irrespirável.
Na minha dissertação de mestrado cunhei o termo “colonialismo interno”.
E hoje cunho mais um novo termo, que lhes conto mais à frente, inspirada pela visita do patético governante de uma Argentina destruída vindo ao Brasil para apoiar o candidato da milícia à presidência do Brasil, recebendo honrarias de um governador que comemorou a vitória de um presidente estadunidense que quer a América Latina como quintal dos EUA. É a “turma” do candidato a presidente que se eleito prometeu um gabinete de transição para os EUA, declarando que vê o Brasil como colônia e que está disposto a se submeter a outro país.
Diante de toda essa aberração, cunho o termo “extrema direita apátrida”.
Sim, esses “brasileiros” são colonizados, vassalos e entreguistas, mas são apátridas, o compromisso deles é com a extrema direita mundial e com a financeirização do mundo que concentra toda a riqueza produzida pelo trabalho de milhões nas mãos de seis bilionários.
De graça não atuam, quem não se lembra do juiz corrupto a serviço dos EUA posando de paladino da justiça, enquanto destruía a indústria nacional?
Em quanto será que foi fixada a comissão pela venda do Brasil?
Quem não está satisfeito com as opções civilizadas, democráticas, constitucionais que temos no Brasil pode, numa democracia, criar um partido ou mudar-se do país, porque temos um país jovem, com todas as riquezas possíveis, com um povo trabalhador e criativo, precisando ser construído. Para todos!
Que o eleitor brasileiro entenda que a democracia exige cidadãos conscientes sobre o poder que o direito ao voto guarda.
Encerro com uma nota sobre o apoio do “governante” colonial à campanha presidencial da extrema direita, no Brasil. O “governante” é denunciado no Tribunal Penal Internacional (TPI) por práticas que temos visto, incrédulos!, nas redes sociais, com o assassinato de mais de 200 jornalistas, em menos de três anos, com mulheres dando à luz e crianças sendo amputadas sem anestesia, amputadas porque foram baleadas. Essas práticas desumanas de necropolítica e as tecnologias de disseminação de desinformação não só atingem seu máximo no regime colonial que esse “governante” conduz, como são modelo para os outros membros da extrema direita apátrida.
Como digo na minha dissertação de mestrado, não há como desumanizar “o outro” sem se desumanizar, simultaneamente.
O que Política tem a ver com Psicologia? A Psicologia ajuda-nos a descobrirmos nossos valores e preconceitos, na Politica colocamos em prática nossos valores. Há um texto neste blog sobre esta ligação.
Link: https://repositorio.ulisboa.pt/entities/publication/aab67eaf-799f-48cf-bcd1-d95c9dd7a890
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*Cristiane Jatene, psicóloga licenciada no Braisl e em Portugal, Terapeuta de Casal e Familia (PUCSP), Fenomenóloga (ABD), Historiadora (PUCSP), Mestre em “Sociedade, Risco e Saúde”, pela Universidade de Lisboa, Terapeuta Certificada Europsy, Supervisora Clínica. Atende online pacientes do Brasil e Portugal.
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