domingo, 26 de julho de 2026

A extrema direita apátrida

 A extrema direita apátrida 


                      Por  Cristiane Jatene*


A extrema direita mundial contemporânea, diferente do fascismo do século XX, é uma organização mundial apátrida.


 Seus representantes não possuem vínculos com seus países, possuem vínculo com os membros da organização fascista da qual fazem parte e com o capital financeiro que representam e lucram, aplicando privatizações mal feitas e sem critério. 


Lucram, também, disseminando desinformação nas redes sociais e com a Necropolítica. 


A necropolítica possui uma gama extensa de ações possíveis. Desde congelar o salário mínimo e as aposentadorias, até bombardear seres humanos, passando por negar vacina numa pandemia de um vírus letal e retirar financiamento de pesquisas mundiais em Saúde Pública, como fez os EUA, que saíram da OMS e deixaram de financiar avanços em Saúde Pública.


Só no Brasil, durante a pandemia, segundo o levantamento do Sleep Giants Brasil, foram movimentados 62 milhões de reais por contas das redes sociais que disseminaram desinformação sobre a Covid-19. 


Embora a extrema direita mantenha, há dez anos, uma rede de desinformação diária, não estamos mais em 2016, os métodos de Guerras Híbridas já são conhecidos: lawfare (uso político do judiciário), revoluções coloridas (financiar infiltrados em protestos espontâneos, desvirtuando a pauta), disseminação de desinformação (com o uso dos algoritmos de redes sociais que são fascistas e financistas), entre outros.


Quem optar por votar no atual governador de São Paulo e no filho do golpista necropolítico não está enganado, optou por um projeto político necropolítico, que tem orgulho da bandeira dos EUA e prejudica a vida de milhões de pessoas, que são submetidas a viajar num trem que pega fogo, como ocorreu na semana passada, receber água suja pela torneira, ficar sem energia a cada chuva, ser assaltado no ponto de ônibus ou no farol. O Brasil cresceu 2%, São Paulo cresceu 0,5%, o Brasil lançou o Pacto Nacional contra o Feminicídio e diminuiu o feminicídio em 2,5% , São Paulo aumentou o feminicídio em 10%.


Durante os anos do pai do filho candidato a presidente, nosso Programa Nacional de Imunizações (PNI), modelo para o mundo, foi tão abalado que o Brasil passou a figurar entre os vinte países que menos vacinam, saindo da lista em 2023, com o novo governo. Os detalhes estão na minha dissertação de mestrado (link no final). 


No caso do Brasil, um país profundamente desigual, ainda em construção, errática, porque uma construção permeada por golpes destrutivos, essa opção política significa manter a precariedade educacional e laboral e a consequente violência, cada vez mais alta, criando no país um ambiente irrespirável.


Na minha dissertação de mestrado cunhei o termo “colonialismo interno”.


E hoje cunho mais um novo termo, que lhes conto mais à frente, inspirada pela visita do patético governante de uma Argentina destruída vindo ao Brasil  para apoiar o candidato da milícia à presidência do Brasil, recebendo honrarias de um governador que comemorou a vitória de um presidente estadunidense que quer a América Latina como quintal dos EUA.  É a turma do candidato a presidente que se eleito prometeu um gabinete de transição para os EUA, declarando que vê o Brasil como colônia e que está disposto a se submeter a outro país. 


Diante de toda essa aberração, cunho o termo “extrema direita apátrida”. 


Sim, esses “brasileiros” são colonizados, vassalos e entreguistas, mas são apátridas, o compromisso deles é com a extrema direita mundial e com a financeirização do mundo que concentra toda a riqueza produzida pelo trabalho de milhões nas mãos de seis bilionários. 


De graça não atuam, quem não se lembra do juiz corrupto a serviço dos EUA posando de paladino da justiça, enquanto destruía a indústria nacional?


Em quanto será que foi fixada a comissão pela venda do Brasil?


Quem não está satisfeito com as opções civilizadas, democráticas, constitucionais que temos no Brasil que crie um partido ou mude-se do país, porque temos um país jovem, com todas as riquezas possíveis, com um povo trabalhador e criativo, precisando ser construído. Para todos!


Que o eleitor brasileiro tome vergonha na cara!


O que Política tem a ver com Psicologia? A Psicologia ajuda você a descobrir seus valores e preconceitos, na Politica você pōe em prática seus valores. Há um texto neste blog sobre esta ligação.


Link: https://repositorio.ulisboa.pt/entities/publication/aab67eaf-799f-48cf-bcd1-d95c9dd7a890


#extremadireita #desinformação #saúdepública #cristianejatene



*Cristiane Jatene, psicóloga licenciada no Braisl e em Portugal, Terapeuta de Casal e Familia (PUCSP), Fenomenóloga (ABD), Historiadora (PUCSP),  Mestre em “Sociedade, Risco e Saúde”, pela Universidade de Lisboa, Terapeuta Certificada Europsy, Supervisora Clínica. Atende online pacientes do Brasil e Portugal. 

Intagram Brasil: cristiane.jatene

Instagram Portugal: jatenecristiane







segunda-feira, 29 de junho de 2026

Estresse e Tempo


Estresse e Tempo

                               Por Cristiane Jatene*

No nosso tempo, quando falamos em “estresse, de que estresse estamos falando?


O estresse costuma estar associado, tanto no senso comum quanto nos estudos acadêmicos, a grandes desafios e a grandes esforços, mesmo que cotidianos ou rotineiros.


Há muito tempo, quase cem anos, a “Teoria do Stress” mostrou que eventos desejados, como uma festa de casamento e uma viagem planejadas, também causam estresse.


O que é estresse, de que modo que é sentido?


O estresse surge em situações nas quais sentimos que nossas forças não estão sendo suficientes ou que está sendo exigido mais do que podemos oferecer, seja emocionalmente, seja fisicamente ou ambos.


O estresse é sentido como esgotamento. Físico, intelectual, emocional ou tudo junto. É sentido como uma insuficiência de forças para desafios que estão postos. Não diz respeito somente às forças nem ao tamanho do desafio, diz respeito à relação entre as condições das minhas forças  e o desafio que terei que enfrentar.


Quando é crônico, rotineiro, pior. Ter uma crise financeira por três anos é pior que por três meses. Ser desvalorizado por duas instituições é pior do que por uma. Decepcionar-se e separar-se de três amizades é pior do que de uma. Passar por doze funerais de pessoas importantes seguidas é pior do que por dois funerais. Os exemplos são infindáveis.


Já foi comprovado que a falta de rotina ou ocupação também causa enorme estresse. Acordar e não saber qual rumo tomar.


Ocorre que nos dias correntes situados e perdidos, seja por quais razões forem, vivem num mundo pouco previsível ou no qual o negacionismo, como o próprio nome diz, nega a previsibilidade que os estudos ofereceram à sociedade, como no caso da emergência climática ou no avanço do fascismo. 


Além disso, há uma enorme, nunca vista, concentração de renda, a nível mundial, o custo de vida é altíssimo, as exigências de competências vão além dos dez diplomas que você tem, como, por exemplo, ter que usar redes sociais profissionalmente. 


O Neoliberalismo tornou o individualismo de famílias e pessoas em uma sociedade tão patologicamente apartada que as pessoas preferem medicar-se a compartilhar suas dores com os amigos. 


Toda e qualquer questão existencial ou relacional, seja com a sociedade, com a família, com os amigos ou de casal pode virar uma patologia catalogada e, consequentemente, ser medicada, como se houvesse medicamento que gerasse  amadurecimento e sumiço das questões e dores existenciais


Sermos plurais e diferentes também é um problema. No geral, seu sucesso como adulto depende da sua conta bancária, como se a sua única contribuição para o mundo deva ser pagar suas contas e não aborrecer ninguém.


O estresse de não ter previsibilidade, de não ter segurança material e financeira, mesmo sendo super qualificado, de não saber o rumo do dia, do mês, do ano, do futuro e o estresse de não ter uma rede de apoio e de afetos segura são enormes. A nossa contemporaneidade traz esses temas! E traz a longevidade, que, com muito dinheiro e cuidado, é ótima. Sem dinheiro e cuidado é um problema social.


Sobre esse estresse prolongado causado pelas enormes incertezas e pelo enorme individualismo do nosso tempo, precisamos sentar em volta da fogueira, que já não há, e conversar.


Sobre esse estresse, precisamos sentar na grama dos parques, que já não existem, e conversar.


Enquanto é tempo.


#estresse #neoliberalismo #individualismo #longevidade #fenomenologiaexistencial #cristianejatene


*Cristiane Jatene, psicóloga licenciada no Braisl e em Portugal, Terapeuta de Casal e Familia (PUCSP), Fenomenóloga (ABD), Historiadora (PUCSP),  Mestre em “Sociedade, Risco e Saúde”, pela Universidade de Lisboa, Terapeuta Certificada Europsy, Supervisora Clínica. Atende online pacientes do Brasil e Portugal. 

Intagram Brasil: cristiane.jatene

Instagram Portugal: jatenecristiane


terça-feira, 2 de junho de 2026

Aniversário - Os 59 anos.

                   Aniversário - Os 59 anos

                                              Por Cristiane Jatene*


Tudo que foi possível, foi feito.

Tudo que foi possível, fui.


Tudo que foi impossível, não foi feito.


Tudo que foi impossível, não fui.


Tudo que foi surpreendente, para o bem ou para o mal, foram os impossíveis acontecidos.


Quando  soube o que era possível e impossível, já não havia volta.


Quando soube das surpresas, já não havia ações, de defesa ou fruição maior, a serem tomadas. A surpresa é que nos toma e não nós a ela. 


Havia outros possíveis e impossíveis.


Havia a outra que me tornei.


Havia fins.


Fui me tornando o que escolhi e o que não escolhi. 


Temporariamente.


Dentre o que foi apresentado.


Mistério não se explica.


Se vive.


Daqui a uma um ano, começará a terceira e última parte.


Será igual.


Tudo que for possível, farei.


Tudo que for possível, serei.


Tudo que for impossível, não farei.


Tudo que for impossível, não serei.


Tudo que for surpreendente, para o bem ou para o mal, serão os impossíveis acontecidos.


Quando eu souber o que foi possível e impossível não haverá volta.


Quando souber das surpresas, já não haverá ações, de defesa ou fruição maior, a serem tomadas. A surpresa é que nos toma e não nós a ela. 


Talvez,  não haja mais caminho.


Terei me tornado o que escolhi e o que não escolhi.


Dentre o que foi apresentado.


Mistério não se explica.


Se vive.


Haverá a última outra que me tornarei.


E no fim, haverá o fim.


Findarei, sem, contudo, ter terminado.


Haverá o encontro dos possíveis e impossíveis.


Haverá a despedida de todos os possíveis e impossíveis, de todas as surpresas e de todas de mim.


Haverá a partida de tudo e todas que fomos.


Mistério não se explica.


Se vive.


Ser finda.


*Cristiane Jatene é Psicóloga licenciada no Brasil e em Portugal e clinica online nos dois países, Especialista em Terapia de Casal e Família (PUC/SP), Historiadora (PUC/SP), Terapeuta Fenomenóloga-Existencial (ABD) e Mestre em “Sociedade, Saúde e Risco” pela Universidade de Lisboa, psicóloga certificada Europsy.



#aniversário #vida #morte #fenomenologiaexistencial #cristianejatene

Apresentação

A extrema direita apátrida

  A extrema direita apátrida                        Por  Cristiane Jatene* A extrema direita mundial contemporânea, diferente do fascism...