segunda-feira, 29 de junho de 2026

Estresse e Tempo


Estresse e Tempo

                               Por Cristiane Jatene*

No nosso tempo, quando falamos em “estresse, de que estresse estamos falando?


O estresse costuma estar associado, tanto no senso comum quanto nos estudos acadêmicos, a grandes desafios e a grandes esforços, mesmo que cotidianos ou rotineiros.


Há muito tempo, quase cem anos, a “Teoria do Stress” mostrou que eventos desejados, como uma festa de casamento e uma viagem planejadas, também causam estresse.


O que é estresse, de que modo que é sentido?


O estresse surge em situações nas quais sentimos que nossas forças não estão sendo suficientes ou que está sendo exigido mais do que podemos oferecer, seja emocionalmente, seja fisicamente ou ambos.


O estresse é sentido como esgotamento. Físico, intelectual, emocional ou tudo junto. É sentido como uma insuficiência de forças para desafios que estão postos. Não diz respeito somente às forças nem ao tamanho do desafio, diz respeito à relação entre as condições das minhas forças  e o desafio que terei que enfrentar.


Quando é crônico, rotineiro, pior. Ter uma crise financeira por três anos é pior que por três meses. Ser desvalorizado por duas instituições é pior do que por uma. Decepcionar-se e separar-se de três amizades é pior do que de uma. Passar por doze funerais de pessoas importantes seguidas é pior do que por dois funerais. Os exemplos são infindáveis.


Já foi comprovado que a falta de rotina ou ocupação também causa enorme estresse. Acordar e não saber qual rumo tomar.


Ocorre que nos dias correntes situados e perdidos, seja por quais razões forem, vivem num mundo pouco previsível ou no qual o negacionismo, como o próprio nome diz, nega a previsibilidade que os estudos ofereceram à sociedade, como no caso da emergência climática ou no avanço do fascismo. 


Além disso, há uma enorme, nunca vista, concentração de renda, a nível mundial, o custo de vida é altíssimo, as exigências de competências vão além dos dez diplomas que você tem, como, por exemplo, ter que usar redes sociais profissionalmente. 


O Neoliberalismo tornou o individualismo de famílias e pessoas em uma sociedade tão patologicamente apartada que as pessoas preferem medicar-se a compartilhar suas dores com os amigos. 


Toda e qualquer questão existencial ou relacional, seja com a sociedade, com a família, com os amigos ou de casal pode virar uma patologia catalogada e, consequentemente, ser medicada, como se houvesse medicamento que gerasse  amadurecimento e sumiço das questões e dores existenciais


Sermos plurais e diferentes também é um problema. No geral, seu sucesso como adulto depende da sua conta bancária, como se a sua única contribuição para o mundo deva ser pagar suas contas e não aborrecer ninguém.


O estresse de não ter previsibilidade, de não ter segurança material e financeira, mesmo sendo super qualificado, de não saber o rumo do dia, do mês, do ano, do futuro e o estresse de não ter uma rede de apoio e de afetos segura são enormes. A nossa contemporaneidade traz esses temas! E traz a longevidade, que, com muito dinheiro e cuidado, é ótima. Sem dinheiro e cuidado é um problema social.


Sobre esse estresse prolongado causado pelas enormes incertezas e pelo enorme individualismo do nosso tempo, precisamos sentar em volta da fogueira, que já não há, e conversar.


Sobre esse estresse, precisamos sentar na grama dos parques, que já não existem, e conversar.


Enquanto é tempo.


#estresse #neoliberalismo #individualismo #longevidade #fenomenologiaexistencial #cristianejatene


*Cristiane Jatene, psicóloga licenciada no Braisl e em Portugal, Terapeuta de Casal e Familia (PUCSP), Fenomenóloga (ABD), Historiadora (PUCSP),  Mestre em “Sociedade, Risco e Saúde”, pela Universidade de Lisboa, Terapeuta Certificada Europsy, Supervisora Clínica. Atende online pacientes do Brasil e Portugal. 

Intagram Brasil: cristiane.jatene

Instagram Portugal: jatenecristiane


terça-feira, 2 de junho de 2026

Aniversário - Os 59 anos.

                   Aniversário - Os 59 anos

                                              Por Cristiane Jatene*


Tudo que foi possível, foi feito.

Tudo que foi possível, fui.


Tudo que foi impossível, não foi feito.


Tudo que foi impossível, não fui.


Tudo que foi surpreendente, para o bem ou para o mal, foram os impossíveis acontecidos.


Quando  soube o que era possível e impossível, já não havia volta.


Quando soube das surpresas, já não havia ações, de defesa ou fruição maior, a serem tomadas. A surpresa é que nos toma e não nós a ela. 


Havia outros possíveis e impossíveis.


Havia a outra que me tornei.


Havia fins.


Fui me tornando o que escolhi e o que não escolhi. 


Temporariamente.


Dentre o que foi apresentado.


Mistério não se explica.


Se vive.


Daqui a uma um ano, começará a terceira e última parte.


Será igual.


Tudo que for possível, farei.


Tudo que for possível, serei.


Tudo que for impossível, não farei.


Tudo que for impossível, não serei.


Tudo que for surpreendente, para o bem ou para o mal, serão os impossíveis acontecidos.


Quando eu souber o que foi possível e impossível não haverá volta.


Quando souber das surpresas, já não haverá ações, de defesa ou fruição maior, a serem tomadas. A surpresa é que nos toma e não nós a ela. 


Talvez,  não haja mais caminho.


Terei me tornado o que escolhi e o que não escolhi.


Dentre o que foi apresentado.


Mistério não se explica.


Se vive.


Haverá a última outra que me tornarei.


E no fim, haverá o fim.


Findarei, sem, contudo, ter terminado.


Haverá o encontro dos possíveis e impossíveis.


Haverá a despedida de todos os possíveis e impossíveis, de todas as surpresas e de todas de mim.


Haverá a partida de tudo e todas que fomos.


Mistério não se explica.


Se vive.


Ser finda.


*Cristiane Jatene é Psicóloga licenciada no Brasil e em Portugal e clinica online nos dois países, Especialista em Terapia de Casal e Família (PUC/SP), Historiadora (PUC/SP), Terapeuta Fenomenóloga-Existencial (ABD) e Mestre em “Sociedade, Saúde e Risco” pela Universidade de Lisboa, psicóloga certificada Europsy.



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Apresentação

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