sexta-feira, 18 de abril de 2025

De onde menos se espera é de onde vem*

De onde menos se espera é de onde vem. O que? Tudo. Quase tudo. De bom. De ruim. Sempre de surpresa. Pode alegrar. Pode rasgar.


Essa frase “De onde menos se espera é de onde vem” é uma daquelas frases senso comum, da sabedoria popular, que explica a vida melhor que Fernando Pessoa, Leiv Tolstói fariam, juntos. E olha que eles eram bons pra explicar o inexplicável.


Ouvi a atriz Maitê Proença dizê-la outro dia. Não me lembro se no seu monólogo autobiográfico, que assisti online, no qual ela finalmente fala do assassinato da mãe pelo pai (de Maitê), do julgamento, de como se congelou emocionalmente e escondeu sua tragédia do público. 


Digo “finalmente” não porque ela fosse obrigada a contar. Digo “finalmente” porque ela contou. Pela primeira vez. Antes, a tragédia foi revelada publicamente não por ela e a surpreendendo.


Geralmente, ninguém ou muito pouca gente se dá conta das nossas tragédias pessoais. Existem tragédias pessoais que são esperadas por quem existe. Mortes e lutos decorrentes, por exemplo. Vivemos a vida toda como mortais e sabemos o desfecho de quem é mortal. Mas, não é disso que quero falar.


Claro, é chocante ver o tamanho da indiferença com que algumas pessoas tratam nossas perdas. Pessoas de nossa família extensa, pessoas que circundam nosso meio.


Quero me referir ao “de onde menos se espera”, que achamos que poderia  ser evitado (quando ruins) e ao “de onde menos você espera é de onde vem” quando não sabemos explicar (quando bom).


Psicólogos, no geral, tem por ofício buscar compreender, aprofundar. Um dos meus irmãos costuma dizer que existe o pré-sal e quero ir abaixo do pré-sal. 


As ações humanas escapam a nossa compreensão. Pode aprofundar à vontade. E, ao aprofundar, é isso que descobrimos: nossa compreensão é limitada. Limitadíssima.


Como brasileira, consciente da história e da tragédia do país, me sinto enxugando gelo. Entender a vida tem um pouco esse caráter. Ela vai te surpreender. Para o bem ou para mal. 


Por mais observador que você seja, por mais experiente, por mais estudioso. Na hora que algo vem de onde menos se espera, você sente plena e completamente aquilo que sabemos intelectualmente: não há controle, não se detém o curso anunciado. Tendo sido visto ou não visto o anúncio.


Recebemos o pior de pessoas para quem doamos tudo, o máximo e o melhor. Pessoas que não tem amor, compaixão, respeito, dignidade. Nós nos rasgamos para refazermos nossa identidade. Demora. Perdemos vida.


Recebemos o melhor de pessoas que surgem na nossa vida tardiamente, para as quais nunca tivemos nem chance de fazer algo de bom. Pessoas que aparecem como o oposto da pedra no caminho descrita no poema de Drummond. Pessoas que te dão a mão e te fazem pular, contornar, evitar a pedra. 


Por que é assim? Não sei. Você não sabe. A pessoa que age com maldade e ingratidão não sabe. A pessoa que age com presteza, solidariedade e compaixão não sabe.


Diante disso, como digo, é melhor procurar fazer o maior número de boas ações possíveis. Há muita gente praticando o mal, destruindo, rompendo, ferindo.


A lição mais difícil: não repetir o bem ou a chance à quem já pagou o bem com o mal. Não é uma lição cristã, é uma lição para manter a integridade emocional, a saúde existencial.


Por isso, há pais que deixam de falar com seus filhos. Filhos que deixam de falar com seus pais. 


O intuito é evitar o desastre seguinte que viria. Como os outros que vieram e nos dilaceraram.


*Texto escrito em 2021, durante a pandemia.


#relações #existencia #fenomenologiaexistecial #psicologia #cristianejatene

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Quem deve se responsabilizar pela segurança de crianças e adolescentes na internet? - por Cristiane Jatene

Crianças não podem ficar sozinhas em ambientes públicos. Não é seguro. A internet é um ambiente público e com um perigo adicional, é um ambiente público que a criança pode acessar de um ambiente privado. Essa situação, por si só, sem monitoramento constante de um adulto responsável, representa um perigo adicional.

Adolescentes podem começar a ficar sozinhos em certos ambientes públicos, sob certas condições, com certas companhias, com monitoramento da chegada e da saída (e do percurso!) por um adulto responsável. Como já dito, a internet é um ambiente público, sem filtro algum. O mesmo filtro que se faz para ambientes concretos deve ser feito em ambientes virtuais.

A responsabilidade sobre o que crianças e jovens acessam nas redes sociais não é da rede social, é dos responsáveis pela criança e adolescente.

A sociedade tem obrigação de criar leis que regulem e responsabilizem as redes sociais, tal como ocorre para empresas que tem seus negócios no plano concreto. Por exemplo, não aceitar a criação de contas anônimas, com chips de celulares que podem ser descartáveis ou provedores que não podem ser localizados, para fornecerem informações dos usuários, o que ajuda a investigar e puni-los, quando necessário, judicialmente.

Mesmo com as redes regulamentadas, os responsáveis pela criança/adolescente devem fiscalizar a quais conteúdos eles estão expostos e conversar e explicar, não condenar, isso não é educação, é preguiça de adultos que querem o titulo de pai e mãe, mas não tem paciência.

Sim, sei que educar é exaustivo e que os pais/responsáveis podem estar exaustos por outras exigências da vida capitalista, mas uma vez que resolveram se responsabilizar por uma vida precisam cumprir o compromisso escolhido.

O mais importante de tudo: crianças não devem ser expostas a conteúdos para adultos, simplesmente porque essas crianças não tem condições de avaliar o que aquele conteúdo significa, qual seu objetivo. A criança tem o direito de viver sua infância, de explorar as brincadeiras fantasiosas, de não saber tudo que o ser humano é capaz, porque ela ainda não tem maturidade para entender o significado de certos conteúdos da internet, embora entenda tudo. Esse é justamente o problema, ela vai entender "do jeito dela" e isso pode ser perigoso para o seu desenvolvimento emocional e para sua segurança.

Em relação aos adolescentes há um risco adicional. Eles, no geral, acham que já sabem tudo e, alguns, estão expostos a conviverem com turmas complicadas que os desafiam a fazer certas práticas que não necessariamente eles queiram fazer, mas que fazem para serem aceitos no grupo.

O momento privilegiado de criar intimidade entre a criança e seus cuidadores é dos zero até por volta de dez anos. Procure criar proximidade, intimidade, dialogo com seu filho. Isso inclui ouvir e explicar, responder e não impor.

#internet #crianças #adolescencia #parentalidade #terapiafamiliar #educação #cristianejatene

quarta-feira, 16 de abril de 2025

Apresentação: Cristiane Jatene.

 Olá, 

Já que vocês chegaram ao meu blog, quero me apresentar e, depois, conhecer vocês.

Eu me interesso por Artes, todas, acredito que expressões artistísticas são a linguagem mais característica do ser humano, por Política, acredito que as negociações humanas devem ficar no âmbito do diálogo e não irem pra guerra. Sou psicóloga, licenciada no Brasil e em Portugal, sou psicóloga certificada Europsy, tenho formação em Fenomenologia-Existencial Hermêneutica pela Associação Brasileira de Daseinsanalyse, filiada a International Federation of Daseinsanalysis que, por sua vez, é reconhecida pela European Associationa of Psycotherapy, sou especialista em Terapia de Casal e Família e Historiadora pela PUC/SP, sou mestre em "Sociedade, Risco e Saúde", pela Universidade de Lisboa. Sou AT pelo Instituto de Psiquiatria do HC/SP.

Atendo em psicoterapia online. Brasil e Portugal. Ou melhor, brasileiros e portugueses, que tenham vida fiscal no Brasil ou na União Europeia, já que atendo em português.

Aqui, vou falar sobre temas diversos que interessam a existência humana e que eu sinta que possa contribuir para pensarmos e aprofundarmos para uma vida mais criativa e menos oprimida.

Abaixo uma apresentação que escrevi sobre mim há um tempo e que corrobora e amplia o texto acima.

Sugiram temas para conversarmos a respeito!

Uma pessoa/profissional plural num mundo segmentado
Sou psicóloga licenciada no Brasil e em Portugal. Atendo online. Psicoterapeuta de adolescentes, adultos, idosos, casais e famílias. Supervisora clínica de terapeutas. Criei dois trabalhos com grupos. “Roda de Conversa Virtual Luso-Brasileira” e “Oficinas Autobiográficas com o Baralho de Palavras” (este presencial). Minha abordagem principal em clínica e pesquisa é a Fenomenologia-Existencial Hermenêutica, que aborda as questões existenciais sempre contextualizadas no seu acontecer fático, em curso, como uma história em aberto, falamos em “dramaturgia do existir”. Para nós, por sermos um “constante vir-a-ser” é nosso futuro que significa e ressignifica o passado. Minha abordagem secundária é a Teoria Sistêmica. Sou hitoridora e AT (Acompanhante Terapêutico, uma profissão que surge com a “Luta Antimonicominal”). As artes tem papel fundamental na minha vida, no meu trabalho clínico e no meu trabalho em pesquisa. Tenho uma pesquisa academica e clínica extensa que compara as obras artísticas autobiográficas com processos terapêuticos em consultório. Para Heidegger, o autor-referência da Fenomenologia-Existencial Hermenêutica a linguagem poética/não linear/disruptiva é a linguagem própria do ser humano, em oposição a linguagem cientificista do conhecimento. Por isso, na clínica e na pesquisa consideramos as manifestações artísticas. Nos preocupamos menos com explicações e mais com compreensões. Como determinado fenômeno (vida, relação, projeto político, etc) pode existir? Qual seu fundamento? O que o sustenta? Em pesquisa, pesquiso temas contemporâneos que afetam os seres humanos e as sociedades. Terminei agora, pela Universidade de Lisboa, uma pesquisa sobre a resistência social pró-ciência da sociedade brasileira contra a gestão anticiência do Governo Federal do Brasil, durante a pandemia. Como dizem que sou didática, a partir de 2018, saí do “esconderijo” e começei a falar na internet sobre questões humanas, ligando Psicologia, Artes e Política e fiz por três anos uma live sobre cidadania, com um coletivo da Zona Leste de São Paulo.
Escrevo nos portais do Instituto de Cultura Árabe e no Observatório do Terceiro Setor.

#fenomenologiaexistencial #terapiaindividual #terapiafamiliar #psicologiaonline #cristianejatene

Quero ouvir os homens - O caso Anielle Franco.

No dia 5 de setembro, a primeira notícia que li foi sobre a morte por queimadura de uma  atleta queniana. Ela chegou a ser hospitalizada, mas não resistiu. O marido ateou fogo no corpo da atleta.


No dia 6 de setembro, a primeira notícia que li foi sobre uma francesa de mais de 70 anos, que foi estuprada por 10 anos, por 72 homens, levados à sua casa pelo seu marido, com quem vive há 50 anos, que a dopava para que fosse violada, assistia e filmava a violência.


No mesmo dia 6 de setembro, por volta de 15:30, vi um vídeo sobre a denúncia de que um ministro havia colocado a mão entre as pernas de uma ministra, durante uma reunião ministerial. Entre outras denúncias. Ministro dos Direitos Humanos.


Neste momento, tenho casos no consultório, no Brasil e em Portugal, de mulheres abusadas, ou por seus parceiros ou no ambiente de trabalho. Emocionalmente, sexualmente.


Recebi uma paciente altamente escolarizada e com dois cargos relevantes socialmente que procurou a terapia por ansiedade. Ela mal respirava no início. O problema respiratório não passava.


Atendo online, modalidade na qual não há nenhum “acessório”, como nossa sala de espera, nossa água, nosso café, nossos móveis, o quadro que há na parede do consultório, é apenas o encontro terapêutico. O que é excelente para uma psicoterapia.


À medida que ela foi me contando os acontecimentos nos quais o quadro de ansiedade surgiu, via-se claramente o assédio moral do homem que a chefiava num dos cargos. Um homem preto. Como ela é uma mulher progressista, não suspeitou do assédio, por ele ser progressista e preto. Ele estava “imune” a este tipo de suspeita. Apenas nas sessões de terapia,  ela foi percebendo o que havia se passado e “se lembrou” que houveram, também, mensagens de cunho sexual. O problema respiratório sumiu.



Uma outra paciente passou 20 anos num casamento no qual, aos olhos de seu abusador, digo, marido, ela fazia tudo errado. De sexo à educacao dos filhos. 

Ela, sem se dar conta, caso não fosse o processo terapêutico e alguns comentários de familiares, sente pena dele e deseja  salvá-lo, mesmo tendo conseguido sair do casamento. 

O abuso ainda permanece, nas ligações para resolverem trâmites da separação. 

Ela tem medo dele. Ela duvida de si. E em Portugal não há delegacia da mulher.

No início do processo terapêutico, ela mandou-me um áudio, com uma das discussões entre ele e os filhos.

Ela sabia o que estava vendo e ouvindo. Mas como acreditar em si mesma? Ela precisava que eu dissesse que ouvi o mesmo que ela e, principalmente, que aquilo era o que ela achava que era, um pai abusando emocionalmente dos filhos, como fazia com a esposa.


Com outra paciente foi preciso desenvolver um trabalho para que ela soubesse que um dos filhos não era o estupro do ex marido do qual ele era fruto. 


São trabalhos bonitos e sou grata por poder fazê-los, mas essas experiências são evitáveis! E devemos lutar por isso, para evitá-las. Não é uma luta feminina, é humana. 


Os homens também são abusados emocionalmente. São manipulados por mulheres que os usam para diversas finalidades. Os homens também são estuprados por outros homens. Ninguém nega esses fatos. E não se pode negar a experiência de uma mulher, durante toda a vida, num mundo misógino, machista e que aceita a cultura do estupro. É uma experiência  inenarrável, altamente incômoda e inaceitável como algo natural. É cultural, pode e deve ser mudada.


Acredito que os homens são, também, vítimas do machismo. Eles “precisam” olhar pras mulheres demonstrando disponibilidade e desejo, eles “precisam” paquerar, eles “precisam” trair, eles não podem “falhar” e assim por diante.


A experiência feminina de não poder andar na rua em paz, durante uma vida toda não pode ser minimizada. Seus impactos emocionais não podem ser relativizados.


Registro também meu lamento por teorias psicológicas, muito difundidas e tidas como verdades, embora teorias, que dizem que somos “naturalmente” violentos. Discordo. A violência e o pacifismo são possibilidades humanas. Podem ser aprendidas ou desaprendidas.


A violência pode ser sutil. O “tratamento de silêncio”, por exemplo, que consiste em deixar a pessoa sem resposta, por escrito ou presencialmente, é violência. Pedir desculpas dizendo que a outra está errada é violência, é “gaslighting”.


Há várias formas de feminismo. O “como” de lutas legítimas pode ser diferente e não é diferente no movimento de busca de espaço social para as mulhres


No âmbito do feminismo que conheci e sigo não é aceitável, como mulher, usar o corpo ou a aparência para atingir objetivos, sejam quais forem. Seria seguir o enredo da objetificação feminina.


Na contemporaneidade, há mulheres que se reivindicam feministas e fazem questão de exporem o corpo e se apresentarem sexualizadas, seja em que profissão for.


Esse debate é amplo e com muitos caminhos por onde podemos seguir. Porque muitas vezes luta-se de acordo com as características do ambiente no qual estamos imersos, imersas, no caso. E, às vezes, sem que percebamos.


Era comum na década de 80 ouvirmos feministas dizerem que as mulheres deveria pagar um prostituto para fazerem sexo aos 15 anos. O que era isso? O machismo ao contrário. Com outras manifestações, essa inversão ainda é possível de ser observada na sociedade.


A linguagem que se usa hoje, de “poder”, de “mulheres poderosas” tem a ver com uma disputa, com um “quem manda mais?”, “quem controla?”, “quem domina?”.

É, ao meu ver, a inversão do que se quer superar. Entra-se não numa superação coletiva, mas num combate de dois lados opostos, antagônicos, em disputa. 


Como construir relacionamentos afetivos verdadeiramente íntimos emocionalmente e que promovam amadurecimento mútuo entre duas pessoas que vêm de grupos em disputa social, mesmo que velada? Passa a ser um trabalho intenso de cada casal, sem respaldo social. Claro que cada casal faz e refaz seu contrato particular, mas me refiro a uma sociedade altamente hostil para esse tipo de parceria entre homens e mulheres, especialmente. Casais heteroafetivos.


Outro dia, num programa de TV, ouvi uma mulher dizer que os homens já mandaram demais e que agora  não têm que participar, têm que ouvir. Essa foi a resposta fornecida, diante da pergunta genuína de um homem ali presente sobre o que os homens poderiam fazer hoje em contribuição ao substituição do machismo, da misoginia, da cultura do estupro por um mundo mais respirável para todos.


Quero ver os homens participarem, quero vê-los falarem! Todos, como muitos, justiça seja feita, já o fazem. Digam: nos comprometemos a nos desconstruirmos como machistas, a evitarmos relações co-dependentes nas quais o controle mútuo predomina e impede a intimidade real, relações nas quais se é  poupado de uma diálogo franco, que permite vulnerabilidades mútuas, humaniza, favorece o amadurecimento e a intimidade, deixamos de preferir a co-dependência que evita intimidade, porque se é útil de alguma forma a outra ou ao outro. Queremos aprender a ter intimidade emocional real com nossas parceiras e familiares do sexo ou genero feminino*. Queremos amadurecer! 


Falem! 


O amadurecimento deve ser da sociedade. Com a participação de todos. Amadurecimento coletivo.


A luta não é das mulheres, que também devem se comprometer a não serem machistas, a não aceitarem os machismos, a luta é de todos nós. É uma luta para que a sociedade mesma amadureça e abandone o teatro de horrores que possibilita que um ministro dos Direitos Humanos, num governo comprometido com avanços sociais e humanitários, seja acusado de abusar sexualmente de uma ministra que se senta ao seu lado numa reunião de trabalho e, em caso de confirmação da denúncia, se veja reduzida a um corpo objetificado.


Quando Simone De Beauvoir disse que não se nasce mulher, torna-se mulher, ela estava se baseando na ideia de Heidegger, descrita em “Ser e Tempo”, de que a essência humana é seu existir, o desenrolar do ser humano como história em aberto que somos, até findar. Nascemos e vivemos inconclusos. Há possibilidade de nos tornarmos homens, mulheres ou abusares passivos ou agressivos. São possibilidades humanas. É preciso decidir e assumir compromissos. Assim como o envelhecimento é obrigatório e a maturidade é um trabalho opcional, ser homem também é opcional. É possível. Aos que assim o decidam ser. É uma questão coletiva e individual, como tudo que se refere ao ser humano. 


*Nao igualo sexo e gênero. Para mim, são coisas distintas. Uma mulher trans certamente passou inúmeros desafios antes de ser tornar mulher que, no meu entendimento, são diferentes dos desafios de uma mulher que nasceu do sexo feminino.


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Apresentação

A extrema direita apátrida

  A extrema direita apátrida                        Por  Cristiane Jatene* A extrema direita mundial contemporânea, diferente do fascism...